Cuiabá - MT | Sábado, 23 de Outubro de 2021

A verdade sobre o CCO do VLT – Vicente Vuolo

A verdade sobre o CCO do VLT – Vicente Vuolo

O governo do Estado de Mato Grosso sempre escondeu o que existe de verdade no Centro de Controle e Operação (CCO) do VLT em Várzea Grande. Aliás, o governador não conhece o local e nunca fez questão de visitar. Será por quê? Talvez, para não tornar público cerca de R$ 700 milhões em investimentos no local. Se fosse um verdadeiro líder, a visita técnica deveria ter sido a sua primeira providência. Mas, como governa como um chefe antigo, o governador preferiu    tomar a precipitada decisão de jogar tudo fora pelo BRT ultrapassado.

O CCO do VLT está localizado numa área de 74 mil metros quadrados, somando a parte coberta e a descoberta, ao lado do aeroporto Marechal Rondon. Essa área foi doada pela União (por meio da Infraero) com a finalidade única de funcionar o Centro de Controle e Operação do VLT.

A parte coberta possui uma imensa área construída com 48 mil metros quadrados, que está em perfeito estado de conservação. A construção de concreto feita de telha metálica Termilor T-P 33 com enchimento em Pur de 50 mm de espessura das chapas é resistente a temporais. Dentro dessa megaestrutura estão painel de controle, câmeras, computadores, cabos de energia, subestações e outros equipamentos caríssimos. A estrutura que impressiona pela sua grandeza, conta ainda com 7 vias com trilhos: via de pintura; via de torno rodeiro; via de macacos hidráulicos; via em nível e 3 vias com valar e plataformas. Existe ainda no prédio áreas de oficina de via permanente e salas para escritórios. No galpão de manutenção, estão armazenados o sistema de rede de tração com postes de catenárias, sistema de subestações como cabos, transformadores, cubículos, quadros de média tensão, carregadores de bateria, retificadores, sistema de semaforização viária e ferroviária como semáforos e controladores. Faz parte, também, desse imenso depósito milhares de tijolos de 2 cores, “paver” como é chamado, do tipo Prisma para execução do passeio ao longo dos trilhos do VLT nas duas cidades, sendo vermelho para a calçada e o cinza para o cruzamento.

É importante ressaltar, que foram comprados ainda 676 unidades de poste de catenárias para todo o trajeto do VLT.  Sendo que existe um estoque de 18 km de trilhos de via dupla, suficiente para ampliar os trilhos em Cuiabá e Várzea Grande por mais 72 km sem precisar comprar novos trilhos.

Outra observação importante, que o governador nunca mencionou, é que o VLT passa por manutenção bimestral conforme Plano de Manutenção SECID 2016. O procedimento está na seção 8 do Plano de Prevenção de Unidades sem Serviço. Nesse documento constam todas as rotinas de manutenção que são realizadas nos trens e que são entregues e protocolados no Governo do Estado de Mato Grosso. Ou seja, a cada 60 dias. Essa é a missão da empresa CAF como mantenedora.

A CAF significa Construcciones Y Auxiliar de Ferrocarriles. É uma empresa situada em Beasain, na Espanha, dedicada a fabricação de equipamento ferroviário. É uma das maiores do mundo na produção de material rodante como trens de alta velocidade, trens regionais e suburbanos, locomotivas, unidades de metrô e VLT. A CAF está presente no Brasil desde 1998 em Hortolândia, São Paulo. Nos últimos dez anos, fabricou 1.282 carros de passageiros, 183 trens que estão em operação me São Paulo, Minas Gerais, Pernambuco e Rio Grande do Sul.

Conforme constatamos na visita técnica no CCO, cada trem denominado URBUS possui 7 vagões com capacidade para transportar 400 passageiros. É de se destacar a alta qualidade do material rodante. Já se passaram mais de 7 anos em que estes veículos estão à mercê das altíssimas temperaturas de Cuiabá. Pode-se perceber que nenhuma pintura do tipo automotiva industrial resistiria a tal grau de temperatura sem haver nenhum pequeno dano.

Portanto, foi constatado os VLTs em excelente estado de conservação em todos os equipamentos elétricos, eletrônicos, telecomunicações, hidráulico, pneumáticos e climatização.

Jogar isso fora é um crime. Mas é o que deseja o governador. Trocar o VLT por ônibus é outro crime. Um retrocesso no tempo e nas ideias. Não tem sentido alterar o projeto. Como todo mundo diz, tem algo por trás dessa história do governador. O que será? Acordo com as empresas de ônibus? Quem ganha com uma mudança dessas? Uma coisa já se sabe, quem paga a conta é o povo de Mato Grosso. A dívida com a Caixa Econômica está sendo paga mensalmente com R$ 4 milhões até 2047. Por isso, o Conselho Curador da CEF se posicionou contrário a troca de modal.

Diante da truculência do governador quem é a grande prejudicada é a sociedade.

Vicente Vuolo é economista, cientista político e Coordenador do Movimento Pró VLT